Sol: vilão ou mocinho?

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Dra. Daniela Gomes Cunha D’Assumpção, médica Dermatologista especialista em Dermatologia Oncológica - da Vitallis Sanitas
 
O verão chegou e com ele as altas temperaturas. Estamos também no período que a corrida para as praias, clubes e atividades ao ar livre torna-se mais intensa. Para falar do sol é preciso revelar uma de suas características mais controversas. O astro rei, principal fonte de energia do planeta e indispensável à vida, pode ser um aliado à saúde do homem e também um grande vilão. Taxar o sol como só um ou só outro é visão deturpada. É preciso entender suas propriedades, buscar informações e conscientizar a população das melhores maneiras de tirar proveito dos benefícios do sol e também alertar para as consequências de uma exposição inadequado à estrela central do planeta.
 
No verão o sol está mais baixo no céu e a incidência de raios ultravioletas estão mais próximas da terra. Normalmente, o recomendado é se expor ao sol em períodos até às 10 da manhã e após às 16 horas. No entanto, em dias mais quentes, o banho de sol para crianças e idosos que possuem a pele mais sensível, deve ser liberado somente após às 17h, 18h no horário de verão.
 
Com moderação, o sol pode ser um dos melhores remédios para o homem. Ele é fonte de vitamina D que é produzida em contato com a pele humana, além de estimular a produção de melanina, prevenir doenças e aumentar o bem-estar. A vitamina D tem diversos benefícios para o corpo. Um deles é o aumento dos níveis de cálcio no organismo, indispensável no fortalecimento de ossos e articulações. Ela também ajuda a prevenir doenças como osteoporose, câncer de próstata, câncer de mama, câncer de cólon e ovários, doenças autoimunes, diabetes, além de reduzir os efeitos da obesidade. O sol ainda tem o poder de melhorar a qualidade do sono, pois a luz dele é responsável por regular o ciclo do sono. O nosso corpo está condicionado a compreender que está na hora de dormir ou acordar.
 
A vilania do sol está somente ligada à forma como nos expomos a ele.

Sem moderação, o banho de sol pode provocar queimaduras, alergias, acnes, herpes, cataratas. A doença mais temida decorrente da exposição inadequada ao sol é o câncer de pele, tipo mais incidente na população mundial. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos da doença no Brasil, sendo que o órgão registra, a cada ano, cerca de 180 mil novos casos.
 
Os tipos de câncer de pele mais conhecidos são os melanomas e não-melanomas. O melanoma é sempre maligno e, apesar de ser o tipo mais agressivo e mais grave, é pouco frequente (5% dos tipos de câncer de pele). Embora o melanoma normalmente traga medo e apreensão às pessoas, as chances de cura são de mais de 90%, quando a doença é detectada precocemente.
 
Já o tipo de câncer de pele não-melanoma é o de maior incidência e de mais baixa mortalidade. Ele assume tumores de linhagens diferentes, podendo ser carcinoma basocelular (70% dos diagnósticos) e o carcinoma epidermoide (25%).
 
Entre as medidas essenciais para evitar o câncer de pele está as de usar óculos escuros e protetores solares, cobrir as áreas expostas com uma camisa de manga comprida, calças e um chapéu de abas largas, evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16 horas, inclusive no horário de verão. Passar filtro solar diariamente e a cada duas horas nas atividades de lazer e ao ar livre. Tomando esses cuidados o sol é a mais pura energia que podemos receber. Ele é vida!