Vitallis na Mídia: Busca sem fim

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Bruno Muzzi - Busca sem fim
BrasiBruno Muzzi Carneiro, oncologista - Vitallis Sanitas
 
Uma das doenças mais pesquisadas no mundo inteiro, o câncer continua sendo uma das principais causas de morte do planeta. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde revelam que a cada ano 8,8 milhões de pessoas morrem vítimas da doença, a maioria em países de baixa e média renda. Mesmo sendo notório o avanço da comunidade médico-científica em tecnologias, diagnósticos, tratamentos e terapias, o caminho a ser percorrido ainda é grande. Temos de um lado, o aumento da qualidade e expectativa de vida e de outro uma doença que assusta pela forte incidência e mortalidade. Neste 4 de fevereiro, Dia Mundial de Combate ao Câncer façamos uma reflexão sobre os principais entraves para o avanço do tratamento da doença no Brasil e no mundo.
 
A busca pela cura da doença diante do desespero de pacientes e familiares faz com que muitas pessoas procurem soluções “milagrosas”. Um exemplo é a substância que ficou conhecida como “Pílula do Câncer”. Desenvolvida pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, do Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros, da Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, a fosfoetanolamina sintética, chegou a ser fornecida sem passar por estudos em humanos nem pela liberação das autoridades de saúde. Com o passar do tempo, o composto sintético mostrou-se ineficaz no combate a doença, de acordo com as pesquisas realizadas pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).
 
Em 2016, o Icesp continuou as suas pesquisas com a fosfoetanolamina sintética, desta vez, para avaliar a resposta da substância em pacientes em monoterapia. Após uma avaliação de 16 semanas, os autores do estudo concluíram, finalmente, que a droga é ineficaz no tratamento do câncer, já que nem ao menos 20% dos pacientes tiveram resposta com a substância.
 
Um tratamento que vem sendo realizado com resultados promissores, é a imunoterapia. Ela consiste na estimulação do sistema imunológico, com o uso de substâncias modificadoras da resposta do corpo humano terá. As interações biológicas podem ser obtidas pela ligação antígeno-anticorpo ou pelos mecanismos envolvidos na imunidade, mediada por células de defesa. A imunoterapia pode ser dividida em ativa e passiva, de acordo com as substâncias utilizadas e os seus mecanismos de ação. Na ativa, substâncias estimulantes e restauradoras da função imunológica (imunoterapia inespecífica) e as vacinas de células tumorais (imunoterapia específica) são aplicadas ao paciente para intensificar a resistência ao crescimento do tumor. Na passiva, anticorpos antitumorais ou células mononucleares exógenas são colocadas em contato com o doente, objetivando proporcionar capacidade imunológica de combate à doença.
 
Os maiores entraves da luta contra o câncer estão nos países em desenvolvimento. Eles enfrentam dificuldades de acesso aos tratamentos, à novas drogas e falta de investimentos em pesquisas científicas. O Brasil ocupa a vergonhosa 24ª posição mundial na produção de artigos científicos. A pesquisa científica brasileira corresponde a apenas 3% da população mundial. Além de perder seus talentosos pesquisadores para o exterior, o Brasil ainda enfrenta grande burocracia para importar material científico e dar sequência às pesquisas. É uma difícil batalha que precisa de esforços da sociedade, governos e comunidade científica para chegar ao fim.